Qual o propósito do Yoga para você?

24/04/2017

Você já teve a chance de observar os praticantes dentro de uma sala de Yoga?

Eu, como professor, sempre tenho essa oportunidade e gosto muito de observar como todos os indivíduos são completamente diferentes. No entanto, em alguns momentos também consigo ver algo em comum entre eles. "Parecem mais calmos, serenos, tranquilos, cheios de amor, repletos de consciência e prontos para pensar no próximo. Seus corpos estão cheios de energia, estão prontos para utilizar os mesmos para atingir estados de consciência". A cada manhã eu penso como as pessoas realmente gostariam de estar e de ser desse jeito por 24 horas.

No entanto, a aparência ainda é algo que chama muita atenção no mundo exterior do Yoga. Postar nas redes sociais um vídeo fazendo um Bakasana e, em seguida, ir para uma parada de mão tornou-se uma forma infalível de se obter muitos ou milhares de likes. Mas o pessoal do circo faz isso com fogo, facas, dois elefantes sobre a cabeça, de olhos vendados e, mesmo assim, muitas vezes não são tão adorados e nem reconhecidos...

Ajude-me a lembrar: qual a verdadeira proposta do Yoga? E, enquanto pensamos, mais amor por favor! Tenha compaixão com minha ignorância...

Essa ciência tão ampla e abrangente foi escrita para ser acessível a todas as classes sociais e perfis mentais. Foi desenvolvida para calar mentes, abrir olhos, direcionar caminhos, transformar seres, cuidar e valorizar esse pequeno tempo de vida. Dar algum sentido, seja lá ao que for.

A palavra Yoga é comumente traduzida como União, seja ela com Deus, cosmos, self, nirvana, céu ou que você goste de chamar. Se reduzirmos essas palavras em apenas uma, chegaremos em algo próximo de Consciência.

Devemos, antes de mais nada, colocar em prática o conhecimento de gerações que nos foi passado por nossos pais ou pela sociedade. Eles já diziam: não matar, não roubar, não mentir, não ter má conduta sexual, entre outros ensinamentos. Pensando nisso, iremos chegar bem próximo de algo como educação, respeito, integridade, valorização, gratidão e, claro, essa tal consciência.

A prática é só uma forma de nos relembrar o caminho. De nos relembrar que, enquanto estivermos encarnados, felicidade e frustação estarão sempre presentes. Por isso, levar a nossa prática a sério pode ser libertador. Libertação pode ser o verdadeiro sentido da palavra União.

É importante saber que com a disciplina vem o ritual. Você está pronto para se submeter a fazer as mesmas coisas diariamente, sem ter a certeza de que aqueles resultados virão para você ainda nesta vida? Só você sabe a resposta. O desafio é real para todos e acontece em planos completamente diferentes: físico, mental, emocional, energético e espiritual.

Sei que tudo isso pode parecer assustador. Sair da zona de conforto sempre será um dos maiores desafios da vida. Refazer nossos conceitos, refazer nossas vidas a partir de novos alicerces, como simplesmente resetar o HD. A coisa é tão protegida que pode não ser acessível para todos. É preciso perseverança, compreensão, dedicação e aceitação.

Diariamente corremos sérios riscos por estarmos praticando Yoga. Principalmente quando a forma física se torna o grande alvo a ser mirado. Aqueles que, de certa forma, tem mais "facilidade" com a prática, muitas vezes acabam, inconscientemente, sendo responsáveis por afastar muitos iniciantes desse caminho, porque estes acham que nunca conseguirão fazer certas posturas que exigem muita flexibilidade ou força, mesmo com muito treinamento. É apavorante, frustrante.

Gastamos tanta energia em ficarmos parecidos com a mulher elástica, vestimos as roupas do Swami "Davaranda", nos cobrimos com tanta ilusão... E tudo apenas para tentar esconder nossos medos e frustrações. Não queremos nos unir, queremos ser especiais. Queremos estar um patamar acima. Queremos servir de exemplo, mas mostramos só aquilo que realmente irá nos proporcionar likes.

É muito comum que transformemos o exterior para nos convencer de que o interior está mudando. Nos esforçamos para cumprir rígidas disciplinas acreditando que toda essa "penitência" é prova do nosso comprometimento com o caminho espiritual.

Prática não é garantia de realização. Todos nós temos grandes chances de ficarmos presos e condicionados em algum dos nossos desequilíbrios e projeções. Podemos chegar no final de nossas vidas sem nem mesmo saber que fomos apenas, escravos e alvo do nosso próprio Ego.

É aí que entra o papel de nossos mestres, professores, instrutores e amigos espirituais. A prática é, e sempre será, solitária. Mas esse conhecimento sempre surgirá de alguém com uma realização e sabedoria maiores que as nossas.

Fazendo uma adaptação às palavras do nosso querido e sábio mestre Bruce Lee, "Eu não respeito e tenho devoção a quem já praticou 1.000.000 de posturas. Eu respeito e tenho devoção a quem já praticou uma postura 1.000.000 de vezes".

Sarva Mangalam!


Edson Ramos