Nossa prática diária

20/02/2017

Hoje em minha prática pessoal, ao travar contato com uma postura que tenho dificuldades, minha mente pôs-se a pensar: Por que meu corpo não aceita esta postura se em minha mente ela aparece tão perfeita? Percebo através do meu pouco conhecimento que a força que possuímos, está ligada ao que tivemos que adquirir em nossas vidas e que flexibilidade ao que devemos abandonar nela. O próprio Balasana (postura da criança) se tornou um enorme tabu para os praticantes de Yoga. Talvez por nos remeter exatamente ao que o próprio nome diz. Desenvolvemos traumas desde criança que nos disseram que a última coisa que podíamos fazer era descansar e respirar, que isso não nos faria bem sucedidos. O que dizer do shavasana (postura do morto)? A última coisa que queremos é se lembrar de algo que nos remeta a morte. Vivemos nossas vidas fingindo que esse dia nunca irá chegar.

Todos os dias vejo em minha frente centenas de pessoas unidas pelo Trikonasana e no final dois ou três gatos pingados de pernas cruzadas em meditação.

A prática se tornou a busca pelo ásana perdido, pela aceitação e pelo reconhecimento por nossos esforços. Talvez por pura insegurança, necessidade de autoafirmação ou nosso tão mal interpretado EGO.

Todos os dias somos confundidos em nossas mentes pelas poses, posturas e posições.

No início da pratica das artes marciais, todos os praticantes eram faixas branca. Devido ao tempo de treinamento, alguns praticantes possuíam as faixas mais encardidas do que os outros e isso diferenciava quem era o mais graduado.

Assim, nasceu a necessidade de colorir as mesmas. No Yoga também temos esse tipo de pensamento. Praticamos para conseguir dominar a vigésima série para que mais uma vez sejamos diferentes dos demais e não iguais. Lançamos diariamente o desafio do dia para motivar e incentivar o domínio da Pose perfeita.

Se passássemos um terço do tempo que perdemos tentando conquistar esse tipo de coisa observando nossas mentes, com certeza atingiríamos o despertar em uma única vida.

Como dizia o prof. Hermógenes:

Enquanto se é jovem não há problema nenhum em cultivar o corpo. Mas saiba, não somos o corpo. Precisamos cultivar a integridade física para que a mente possa habita-lo.

Deixo aqui o desafio do dia:Olhe nos olhos das pessoas todos os dias.

Peça desculpa a quem tenha ofendido.
Diga que ama seus entes queridos.
Fique de pernas cruzadas por 10 min todos os dias, e você verá o que realmente é importante em sua prática diária.
Incorpore o esforço, a aceitação, a disciplina e a PACIÊNCIA.


Edson Ramos