Dicas para ministrar uma aula de Yoga

25/02/2017

Tudo que você ensina é reflexo do que você acredita e, como professor de Yoga, é importante que você tenha isto consciente. Siga um caminho que você tenha orgulho de compartilhar.

O ensino deve ser uma extensão da sua prática pessoal. Portanto, precisamos sempre praticar o que ensinamos. Lembre-se que, a todo instante, somos influenciados e também servimos de exemplo para outras pessoas, mesmo sem nos darmos conta.

A seguir, destacamos alguns dos principais pontos a serem considerados pelos professores.

Não seja um professor que não sabe e não pergunta.

Iniciando o processo de ensino

Fale com comandos e use uma linguagem concisa. Chame o estudante pelo nome - aprenda o nome de todos. Ao demonstrar uma postura pela primeira vez, apresente a variação básica. Se a postura já foi demonstrada na mesma classe, não é necessário demonstrá-la novamente.

Exemplo: "Eu irei demonstrar  o (nome do asana), veja primeiro. Agora vamos fazer juntos." "Vamos fazer juntos o (nome do asana), você fez essa postura semana passada. Vou dizer como executá-la."

Depois de colocar o aluno na postura correta, evite continuar falando. Deixe-o vivenciá-la. Quando o aluno aprender a executar a postura, elogie-o. Ao falar com o aluno sobre a respiração, conecte, ao mesmo tempo, com a sua própria respiração. Continue passando comandos verbais mesmo quando virar de costas.

Não seja um professor que sabe, mas não ensina.

Ensinando alunos de diferentes níveis

Praticantes iniciantes

Ensinar os iniciantes é, conceitualmente, bem simples. Devemos introduzir apenas as variações básicas dos asanas e como respirar corretamente durante sua execução. Utilize uma linguagem direta e tente tornar as coisas bem simples para que ele entenda. Você também pode, aos poucos, demonstrar posturas mais complicadas, deixando que ele desenvolva a consciência com as mais simples.

- Iniciantes nível I

Diga o nome da postura. Entre na postura e crie uma descrição curta do que está sendo ensinado. Executando a postura, crie uma breve descrição do que está fazendo e mostre o ponto principal da postura - "Estamos abrindo o quadril". Após demonstrar e dar uma curta descrição, continue acrescentando algo mais, enriquecendo o trabalho que está sendo feito. Aprenda a utilizar a respiração para dar os comandos que deseja. Foque nas sensações dentro do asana.

Para um aluno iniciante, o ponto principal é que as posturas sejam anatomicamente corretas. Não devemos complicar a prática com técnicas auxiliares, cobranças de nomenclatura, prana, chakras, etc.

Se você achar que, ao final da aula, faltou alguma informação adicional necessária sobre a prática, chame o aluno e não deixe de passar o comentário.

- Iniciantes nível II

Depois que os alunos fazem algumas aulas, eles começam a se sentir mais familiarizados com os aspectos da prática. Comece, então, a criar ênfase completa na respiração e introduza as técnicas auxiliares gradativamente. Incentive o aluno a respirar em determinadas partes do corpo e com um tempo específico.

Tire-o da zona de conforto e crie novos desafios o tempo todo. Explique sobre a mente e como a meditação fará com que ele desenvolva ainda mais a sua prática. Se ele já se sente confortável em uma postura e consegue executá-la corretamente com a respiração, mude a variação.

Não seja um professor que ensina, mas não faz.

Praticantes intermediários/avançados

Esses praticantes já possuem uma certa autonomia dentro das aulas. Conhecem as regras de conduta e, geralmente, sabem como executar uma prática sem a presença do professor.

Trabalhe uma maior permanência nos asanas e incentive a realização de passagens. Procure sempre lembrar os alunos que a conexão entre posturas deve acompanhar a respiração. Incentive o uso dos bandhas e drishtis, aumentando a consciência da prática. Desafie constantemente seus alunos a superarem seus limites e sair da sua zona de conforto.

Nestes níveis, além do nome da postura em sânscrito, você pode fornecer descrições mais detalhadas e objetivos sutis a serem cumpridos, além de criar metas dentro das posturas. Utilize ajustes sutis, verbais e de massa. Comece a despertar a curiosidade pelas origens da prática.

Ensinando diferentes níveis em conjunto

Para se dar uma aula onde há alunos de níveis variados, é necessário utilizar comandos simples que se tornem mais complexos a cada nova respiração. Divida os comandos em básicos, intermediários e avançados.

Exemplo: "Entre na postura do corredor com a perna direita à frente (comando geral). Coloque o joelho esquerdo no solo com o tapete dobrado, se necessário (básico). Apoiando o braço esquerdo na perna, vamos entrar numa torção (básico). Se você sentir que é possível, remova o joelho do chão esticando a perna (intermediário). Nosso objetivo final é envolver a perna com o braço esquerdo e tentar segurar a mão direita lá atrás (avançado)".


Edson Ramos

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