Edson Ramos
Senior Teacher

Um breve relato da minha trajetória

Iniciei bem cedo meu caminho nas artes marciais. Sempre tive curiosidade pela cultura oriental e cresci vendo imagens e lendo artigos relacionados a isso espalhados pelas academias que frequentava. Naquele tempo, eu trabalhava ministrando aulas de artes marciais e de ginástica.

Sempre senti uma certa insatisfação e um tipo de chamado dizendo que eu deveria buscar uma filosofia e um caminho de vida. Eu morava bem perto do templo Zen de Copacabana e quando passava pela porta sentia uma certa curiosidade e vontade de entrar. Um belo dia resolvi fazê-lo. Um monge que vivia no templo naquela época me deu algumas orientações para a prática do Zazen. Eu não sabia que aquela seria uma das experiências mais difíceis da minha vida. Tínhamos que ficar sentados em frente a uma parede branca por 40 minutos, sem poder fazer nenhum movimento. Não preciso nem dizer que senti dores agudas por todo corpo e que minha mente não relaxava por nenhum segundo! O Zazen foi uma das maiores provas de fogo que passei, mas, ao final, me sentia diferente.

Apesar de não ter sido uma experiência fácil nem, digamos, muito agradável, senti vontade de voltar. Uma coisa eu havia compreendido: meu corpo não tinha preparo para aquele tipo de prática e minha mente estava demasiado condicionada para entender o objetivo de todo aquele sofrimento.

Na mesma semana, por sorte ou, eu diria, talvez pelo destino, andando pela rua encontrei em uma lixeira uma revista de um professor chamado Osnir Cugenota, ensinando algumas posturas e falando um pouco sobre a filosofia de um tal Yoga. Sem saber, aquela semana mudaria a minha vida para sempre.

Comecei a estudar e praticar Yoga por livros, e assim foi durante boa parte da minha jornada. Iniciei com a prática do Hatha Yoga clássico e, um pouco depois com o boom da época, migrei para o Ashtanga Vinyasa Yoga. Na época, comecei a incorporar alguns asanas do Yoga nas minhas aulas de artes marciais e ginástica. A aceitação e o retorno dos alunos foram tão bons que comecei a oferecer aulas de Yoga em um pequeno estúdio em Ipanema.

Em 2002, uma amiga com quem eu praticava Ashtanga Mysore compartilhou comigo um DVD contendo uma série chamada Rocket II. Ela tinha recebido o material para estudar a sequência de posturas antes de ingressar no curso do mesmo método. A série a assustou um pouco e fez com que ela desistisse do curso. Por conta disso, ela me presenteou com o DVD e comecei a estudá-lo. Segui com a minha prática de Ashtanga, mas, infelizmente, um ajuste mal feito durante uma aula me deixou de muletas por alguns meses e me impossibilitou de continuar a praticá-lo.

Estudando o Rocket II descobri que o método baseava-se nas sequências do próprio Ashtanga, porém utilizando as séries de forma mais flexível e acessível a todos. Um iniciante, desde a primeira prática, já poderia travar contato com posturas avançadas dentro de suas possibilidade e adaptações. Como eu não fazia ideia de como era o sistema completo, criei uma forma pessoal de praticar, fazendo uso de pequenas oficinas e exercícios chaves.

Somente no final de 2012 fiz uma formação reconhecida de Rocket Yoga, e foi quando descobri que o que eu praticava sozinho há anos não estava muito longe do método que eles ensinavam. E como eu tinha desenvolvido muitas técnicas preciosas de ajustes e de execução da prática, fui convidado a fazer parte do corpo de professores dessas formações assim que me graduei.

Minha experiência adquirida pelos muitos anos de ensino de artes marciais e ginástica, que inclusive me proporcionaram grande parte do conhecimento sobre o corpo humano que possuo hoje, conciliada ao meu conhecimento de Yoga, me possibilitaram a criação de um novo método, que apelidei de Oss Yoga (em referência à saudação utilizada nas artes marciais).

Paralelamente a tudo isso, eu continuava praticando o budismo de forma tão fervorosa que cheguei a viver um tempo no templo budista localizado em Vargem Grande, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Lá conheci meu principal professor budista. Junto com um grupo de amigos, começamos a receber ensinamentos por meio da forma tradicional, ou seja, pela transmissão oral mestre - discípulo. Nesta mesma época, também recebi preceitos de outros mestres, alguns dos quais nem se encontram mais entre nós.

Senti que toda essa preciosa bagagem sobre budismo e meditação adquirida por anos, com certeza também seriam de grande valia para outras pessoas ao meu redor. Decidi que, de alguma forma, precisava compartilhar esses ensinamentos, incorporando-os nas minhas aulas. Foi então quando descobri um método chamado Yin Yoga.

Diante deste novo olhar sobre o Yoga, surgiu-me a necessidade de criar uma forma mais equilibrada de prática, um sistema que promovesse a união do lado vigoroso proporcionado pelas práticas quentes Yang com o lado meditativo e frio do Yin. Assim nasceu o sistema Yin Yang Vinyasa.

Em nosso método, classificamos quaisquer práticas meditativas e restaurativas como Yin e práticas físicas, que aquecem e demandam mais energia, como Yang. Além disso, é necessário que essas práticas sejam realizadas de forma alternada, visando o equilíbrio entre esses dois pólos.

Nossa metodologia Yang Vinyasa tem como influencia o Ashtanga Vinyasa Yoga e o Rocket Yoga. Utilizamos o mesmo sistema de séries fixas porém com liberdade para fazer modificações e mesclar técnicas de qualquer outra prática Yang. Quanto ao Yin Yoga, seguimos o sistema como ele originalmente é descrito.

Minhas aspirações são que você possa se beneficiar deste método e que ele seja mais uma ferramenta para ajudá-lo em sua prática pessoal. Que todas as bênçãos dos Budas e Bodhisattvas estejam conosco. Sarva mangalam!

Equilibre o seu esforço com a sua aceitação.